quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O rei da festa (parte 1/2)

A história abaixo ocorreu há mais de 1 ano. Na época eu fiquei, vários dias, muito mal com o episódio. Hoje já é algo superado portanto não se preocupem.

Era formatura do meu irmão. Teríamos uma série de eventos em comemoração, incluindo colação de grau, almoços informais, jantares formais e festa. Esses eventos todos aconteceram numa cidade no interior de São Paulo portanto, reservamos hotel com antecedência pois seria um fim de semana beeeem agitado. Vestidos alugados e reservados para a ocasião. Poucos parentes aceitaram o convite, já que era longe e envolvia uma série de gastos com hospedagem, pedágios, combustível e alimentação. E eu ia escapar do trabalho por um dia.

Tudo pronto, saímos numa quinta feira a noite. Chegaríamos de madrugada. O stress começou já na estrada com meu pai se irritando a toa por motivos bestas. Hotel bacana, bonito e limpinho. Hora de recuperar as energias e se preparar para tudo que viria. Conhecendo meus pais eu já tinha ido com um grande estoque de paciência e tolerância na bagagem (que acabou não sendo suficiente).

Começam os eventos, muita choradeira, fotos e discursos....muita comida, muitas horas no cabeleireiro de lá e trocas de roupas. O jantar seria no mesmo local da festa. Salão impecavelmente decorado, lugar lindo, imenso e lotadíssimo. Como é comum nesse tipo de evento, cada formando tinha direito a uma mesa com várias cadeiras.

Após o jantar a pista de dança é liberada. Muita gente se amontoa pra dançar. Meu pai começa a se soltar (que fique claro que ele não bebe) e voltar aos anos 70. Começa a dançar de uma forma um tanto destranbelhada. Chamando a atenção de todos que estão ao redor, alguns riem, outros apontam. Dança com algumas amigas do meu irmão. Minha mãe insiste pra que ele dance com ela e ele não aceita. Saia justa. Clima de implicância e futuras mágoas no ar. Briga de egos pra ver quem chama mais a atenção. Eu, que não sei dançar (bem que gostaria - não funk - mas sou tímida), e que costumo ser discreta, fico quieta só observando, com um pouco de vergonha.

Começa o funk, meu pai senta. As meninas ficam enfileiradas paralelas a uma fila de garotos, elas começam a dançar de forma provocante até o chão (que nessa altura já estava cheio de cacos de vidro dos copos quebrados), arrastando seus lindos vestidos nas poças de bebida e os garotos retribuem com novos gestos obscenos. Todo mundo achando aquilo normal menos eu. Será que só eu lembrava que aquilo era uma festa supostamente familiar? Repleta de vovós e vovôs. Tá tudo liberado e quem sou eu pra questionar? Eu teria vergonha de dançar assim. Começam a tocar músicas dos anos 80, meu pai levanta da cadeira e vai lá pra frente rebolar e chamar a atenção. E foi esse senta e levanta até o fim da noite.

Fim da noite....voltamos ao hotel, eu me tranco no meu quarto e tento absorver todos os sentimentos e conflitos do dia. Começo a me cansar dos outros (puxa sacos, grudentos, falsos) e ficar irritada por sempre presenciar as mesmas coisas. Decido que no dia seguinte tentaria ficar o maior tempo possível isolada, dentro do quarto assistindo tv ou lendo.

Precisava de tempo pra mim mas infelizmente não consegui, tinha que ir novamente almoçar com um bando de gente sem noção com os quais a afinidade era zero e logo depois voltar ao salão e me arrumar pra mais uma noite gloriosa. Nesse ponto eu já estava no meu limite, emburrada, querendo sumir do mundo e chata. Até cogitava uma fuga, eu indo com minha malinha pra rodoviária pronta a pegar um ônibus pro fim do mundo...rsrsrs...

Pareço exagerada mas meu erro nessa fase (que me deixava assim) era me comparar demais com os outros. Sempre tinha a impressão que pra ser socialmente aceita eu deveria tentar me enquadrar a certos comportamentos (superficiais e ilusórios) com os quais eu não concordava. Aí via todo mundo ao meu redor agindo de forma questionável e parecendo tão feliz que eu me sentia um lixo pensando que estava errada em ser diferente e tão "certinha". Era como se eu nunca fosse encontrar pessoas que me entendessem e tivessem princípios e ideias parecidas com as minhas.

Sei que me importo demais com as atitudes alheias e deixo que me afetem. Na época tudo isso me afetava muito mais que hoje, tanto que eu entrava num círculo vicioso de sentimentos confusos em que a conclusão principal era: você não faz parte desse mundo, você quer fazer parte desse mundo? Porque se quiser está fazendo tudo errado. Me culpava por não querer fazer parte disso. Me culpava por ser diferente. Me culpava por não conseguir ter uma vida tão irresponsável quanto algumas pessoas, ou seja, estava sempre em conflito e sempre me jogando pra baixo.

Mas eu não podia ir embora. Ainda tinha a festa pra terminar bem o fim de semana...será que eu me aguentaria? Tinha tanta vontade de estar em casa e em paz no meu cantinho mas o negócio era fingir que não via nada e fingir que estava feliz. Não podia estragar a festa de ninguém. Isso foi só o começo, eu reclamava sozinha mas não poderia imaginar tudo que ainda estava por vir pra fechar com chave de ouro.....mas isso você só descobrirá no próximo post!

(continua...amanhã no mesmo horário)

29 DESABAFOS:

Mågø Mër£Îm disse...

Coloca a coisa pela metade pra fazer eu voltar por ser curioso... que coisa feia!...rs

volto amanhã... fazer o que! rs

beijo

Luciana Klopper disse...

Ai, amiga faz isso não...eu morro de curiosidade!! Seu pai deve ser o maior barato, queria vê lo dançando, meu marido bebe e tem 33 anos e nunca levantaria pra dançar..já eu danço até Xuxa nesses casos, sem nenhum teor de alcool..imagina os bicos.Que fique claro que funk, obscenos e movimentos erotizados tô fora..e as pessoas acham que pq sou dançarina de dança do ventre deveria gostar...mas dança do ventre com seriedade é sensual sim, mas não vulgar como esses funk..cada movimento tem uma história, mas isso é papo pra outra hora...vou ler os comentários que vc me disse!
Viu meu filhote? linda né?
Bjs e preciso dizer que vc me faz feliz, hj estou muito extasiada de felicidade por vocês, que essa semana em especial mudaram os meus dias...e vc faz parte disso!!!
Nunca em todo os meus 28 anos, quase 29, tive problemas em falar o que sinto, mesmo que pareça repetitivo..sinto e falo..Te adoro

Reyel disse...

Mas q coisa menina!
Agora tenho q esperar até amanhã? Aff... Olha, eu tbm nunca fiz parte desse mundo, e cada dia ando mais fora dele. Teve um tempo q lamentava estar fora, mas hj vejo: o q estou perdendo? Nada!
Bjo na alma, amiga.

Ge Rocha disse...

Lembra do texto que comentei outro dia com vc, pois é, achei, passa lá no blog qdo puder. beijos.

Aninha Leme disse...

querida
eu já fui assim também. (acho que somos irmãs rsrs)
sei lá, é exatamente o que vc disse: como os outros se divertem com qualquer merda, e vc não, vc acaba achando que o errado é vc e não os outros.
a verdade? não tem certo errado. tem a individualidade de CADA UM que deve ser respeitada. Inclusive a sua de não gostar de certas coisas.
concordo com o tema do funk e da festa familiar.
mas, fazer o que?

hoje em dia estou bem mais "despachada" sabe? dentro do que eu acredito ser bom pra mim, claro.
sou mais feliz agora que tenho coragem de me assumir.

besosssssssssssss

Juliano disse...

Amanhã no mesmo horário foi bom.! aaoskdoasdoasokdosakdkoaskdkasd

Eu me sentiria constrangido também, até por que não gosto de chamar a atenção, e espero que as pessoas que estão comigo também não, mas sempre tem um engraçadinho na turma. =/
E sim, odeio funk.

Beijoooooos.!♥

Amanhã no mesmo horário eu volto.!

Sagesse disse...

Oi, amiga, eu te entendo. Às vezes eu tbm preciso de um tempo meu, sozinha, para ficar triste à vontade, hehehe, mesmo qdo passo vários dias em meio a muitas pessoas felizes...

Amanhã, veio aqui ler o resto.

Bjus.

disse...

Amiga to louca pra saber o que aconteceu depois dessa festa que teu pai ficou no senta e levanta, senta e levanta, HAHAHAHAHA, parece o meu sogro quando se empolga nas festas... me dá uma puta vergonha alheia quando ele começa a bancar o divertido e querer ter 20 anos... porque vamos combinar, néam... tudo tem limite, ainda mais quando a idade avança!

E teus pais nunca notaram que tu é uma pessoa quieta e tals??

Bjos

shaaa disse...

ahhh odeio episodios com continuação, fico morrendo de curiosidade.rssss

beijo

Déia disse...

Linda,

Eu sou a favor da diversão, eu danço mesmo, tiro sarro e me divirto pra valer qdo vou a lugares assim... se ninguem paga minhas contas, ninguem se atreva a falar de mim rsrsrs

Acho que dançar funk até o chão, perto das avós é um pouco Over kkkkk

Mas eu acho que vc tem é que soltar a franga!!! Esqueça o que os outros vão pensar e falar, afinal... meterão a lenha de qquer jeito kkkkk

O importante é vc ser feliz, do jeito que quiser!

bjs

Bleeding_Angel disse...

Na vdd vc naum eh a unik q naum se encaixa nos padroes, isso existe ha mtos seculos atras (vide os punks, goticos, straigh edges, etc) e naum vejo nada dmais em vc qrer fik na sua.
Sim, eh ruim qndo temos q "fzer a social", mas fzer o q?
Pior q esse povo eh msm mais feliz q a gnt, conhece a famosa frase:

IGNORANCE IS BLISS!

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Bjos anjo.

Nike disse...

Já que vai nos deixar na curiosidade até amanhã.... também só vou terminar esse comentario.... AMANHÃ!!! Por hj é só kkkkkkkkkkk ( como sou boba hehehe)

ansiosa pela segunda parte
beijos minha linda

Blog do Óbvio disse...

Desabafando, tudo isso que aconteceu é muito normal. O tipo de pessoa que você é (certinha), às vezes em ocasiões sociais, tem que "´pagar esses micos". Aos poucos você vai se desligando disso e passará a não se preocupar com o que os outros fazem. Afinal, cada um paga pelo que faz. Se estiver de acordo, tudo bem. Se não der certo tem que ter estrutura para segurar a barra, né? A continuação desse comentário será exatamente o que a minha amiga Aninha Leme escreveu. É o mesmo que eu penso. Uma beijoca antistress, com muito carinho. Manoel.
PS: Tô te devendo um e-mail (Putz, que vergonha)! Mais um beijo.

Tatiane Trajano disse...

É nessas horas que eu me culpo por ser tão curiosa...rs
Volto aqui amanhã!
;)

Beijinhos

Bah disse...

Os pais têm uma mania de fazer passarmos vergonha. Apesar que falando do meu pai eu já acostumei. Quem conhece ele de primeira se assusta, como qq outra pessoa, mas depois com o tempo fala: ahhh é coisa dele. Já nem liga. Mas festa de formatura eu não vou há um tempão hein? Nem casamento, nem velório (graças à Deus), mas qdo tem festas onde eu me arrumo toda, não danço nem a pau, fico elegante a noite inteira, sem desmanchar penteado e maquiagem rs.... Vamos ver o final amanhã... em quem vc jogou a champanhe? rssss

Kisu!

Monica disse...

Olá, cheguei aqui de para-quedar hehe e me peguei lendo sem parar o seu post, como c escreve gostoso! Te convido para conhecer o meu site e, se quiser, se cadastrar já que estamos em promoção. É um site para vc mostrar o seu humor do dia no seu blog, é bem divertido e acho que vc vai gostar. Passa lá!
Beijinhos!

Bah disse...

Ahhh respondendo a sua pergunta. Marido vai pro sul. ONde ele morava antes de nos conhecermos. Japão querida, só a turismo agora rs... se até lá eu tiver cacife pra isso rs...

Kisu!

Elisa no blog disse...

Estou com os "mixed feelings" li os comments, me identifico com muitos. Por ex. acho que sou irmã sua e da Aninha. rsrs me identifico com vcs. Sempre fui um peixe fora d'água. Mas depois de certa idade pensei: vou me divertir e concordo com a Déia. Danço e me divirto. E para minha surpresa meu filho acha ridículo. Eu e Aninha já falamos sobre isso. Porque os filhos tem vergonha quando as mães dançam. Pergunte para ela. E no caso vc ficou com vergonha do seu pai. rsrs Esses são os mixed feelings.
bj

nieninquë disse...

Agora são 02:51....ou seja me enrolei nas visitas pq comecei a fazer um trabalho remunerado em casa ewwwww hehehe...
Então amanhã eu passo com mais calma pra ler tá garotinha ^^

Boa Sextaaaa
Miquilis
Bru =]
www.farofadbatata.blogspot.com

Ju disse...

É realmente um saco quando você está num lugar por obrigação... quando não se sente bem com o ambiente e com as pessoas.

Infelizmente a gente tem que aprender a lidar com isso. Como seria bom poder "desligar" e só voltar depois! rsrs

p.s.: Também acho terrível esse tipo de dancinha! aff!

Bjo

Verdadeira Diva - Carol disse...

Oi flor... Obrigada pela visita e pelo elogio ao meu lay. ^^ Adorei sua visita. Pode deixar que voltarei mais vezes tah? Bjusss e tenha um ótimo fds.

Dani disse...

eita nóis...Adoramos textos longos néh????
eu ja to me mordendo de curiosidade pra saber o resto da historia....
Tu sabe que já aconteceu isso comigo, inumeras vezes...Certa vez acabei com o natal da minha familia, porque fiquei "a treva", não falava com ninguém, não sorria, comecei a chorar e me tranquei no carro e não queria ver ninguém....Affff
Beijos carinhosos meu bem....

Se o "se" não tivesse ficado só no "se" disse...

Sabe querida, gostei muito das conclusões que vc tirava lá trás:" você não faz parte desse mundo, você quer fazer parte desse mundo? Porque se quiser está fazendo tudo errado". Achei isso uma expressão da sua personalidade, pq vc sabia que estaria fazendo tudo errado, ou seja, vc sacava que ia perder sua essência. O duro é se vc n tivesse essas conclusões, aí vc seria uma marionete, um fantoche da sociedade e vemos claramente que isso vc não é. Acho vc uma moça formidável, continue tendo essas conclusões e se diferenciando sim!

Eu amo um cara chamado Flavio disse...

Obrigada por atender meu pedido e dar uma passada no meu blog, tenho muita admiração por ti, e foi muito importante pra mim sua presença lá...estou curiosa pra segunda parte do caso...

Mitti disse...

É amiga, complicado mesmo se sentir isolada por não se encaixar nos padrões impostos.

Eu sempre me senti excluída sabe, até pq nao podia sair e tal....

em casa mesmo eu dançava, dançava de tudo.......

na academia até fiz aula de axé e funk...ahuahuahuahuaha, tudo isso pensando, vai que eu saio no carnaval né?

ahhh eu danço de tudo agora qdo saio sabe, eu gosto, mas é claro...em ambientes próprios. Complicado essas danças em eventos com idosos né? falta de respeito mesmo.

To esperando o proximo capítulo

bjoka

Dani disse...

ai minha flor, eu acho q o post foi apagado, pq como a drii mesmo falou ...ela perdeu tudo....mas eu te conto a minha historia, qualquer hora dessas....bjooooooooo

Aline disse...

Poxa, concordo com o coment da Déia!!
Eu me jogaria sem lenço e sem documento!!!

hahahahaha

Volto amanha!!

Beeijoss

Luu disse...

De nada!!

Bem devo dizer que adoro o teu blog e por isso nao tenho problemas nenhuns em voltar.

Leandro disse...

olha so'... exceto a parte do seu pai insistir com a sua mãe pra dançar (ja' que ela não queria mesmo), eu não vejo nada de errado com ele. "Fiasco"? Talvez sim, mas e dai? ;-) O que importa é que ele se divertiu, talvez muito mais do que em muitos anos.

Ja' com relação ao Funck... é, tudo tem limite hehehe

bjo


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